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O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Discurso poético pra as bodas de prata de Fátima e Norberto (Domingo, dia 30/09/2012)
Herculano Alencar

Peço um minuto aos amigos,
vossa atenção, por favor!
Eu vou falar de amor:
amor este bem antigo,
que nos serve de abrigo
nas intempéries da vida.
Amor esta flor garrida,
que brota em qualquer jardim.
Amor que só chega ao fim
na mente de quem olvida.

Amor que não tem medida
não tem peso, não tem cor,
não tem volume ou olor,
não tem chegada ou partida.
Amor que ninguém duvida
foi o sopro do divino,
que fez entoar o hino,
que uniu este casal,
num encontro casual
forjado pelo destino.

Norberto, grã-palestrino
pê-agá-dê em hebraico;
tradutor de aramaico;
professor de mandarino,
aprendeu, com o rabino,
na leitura da Torá,
que tanto lá quanto cá,
como diz Gonçalves Dias,
há mais de mil cotovias
pra cada um sabiá.

Que seja Paulo ou Judá,
seja Jesus ou Moisés,
sejam Kasher os pastéis,
o bacalhau, vatapá...
há sempre um bom caviar
na mesa de um bom judeu,
pois quem provou e comeu
as ovas do esturjão,
faz a sesta em oração,
ainda que seja ateu.

Como disse o Conde d'Eu
a Dona Isabel Cristina
e ao povo de Teresina
mais antigo de que eu:
a prata de um jubileu,
quando é de casamento,
é feito cal e cimento
de uma obra em construção:
não fosse a circuncisão,
tinha mais um pavimento.

No ensejo do momento,
rogo ao dom da poesia:
a douta sabedoria,
a força do pensamento...
e uma réstia de talento
do concunhado Norberto,
que quando a sogra está perto
e ele quer ficar sozinho,
vai pro oásis de vinho
que construiu no deserto.

Louvo o grande arquiteto,
que fez, de Fátima, Maria:
a neonata judia
nascida no tempo certo;
um tesouro descoberto
pelos cristãos e Judeus
que, com a benção dos seus,
como reza o sacramento,
celebra, neste momento,
mais uma obra de Deus.

Qual Julieta e Romeu,
vive o casal, dia a dia,
num mar de fotografia,
que mais parece um museu.
O amor, no apogeu,
foi feito sob medida,
como o prato e a comida,
o beija-flor e a rosa,
a poesia e a prosa,
o cravo e a Margarida.

Minha cunhada querida,
pequena grande mulher,
espero, se Deus quiser,
que leves por toda a vida,
essa a paixão sem medida,
que aquece teu coração.
E mesmo que algum senão
venha roubar-te alegria,
saibas que há poesia
bem ao alcance da mão

e que o arroz e o feijão
não vêm do mesmo plantio,
mas quando a terra (no cio)
entrega-se à plantação,
não há Tales, nem Platão,
nem qualquer filosofia,
que tenha maior valia
do que sentar-se à mesa
(com uma champagne francesa)
junto à vossa companhia.

Que Deus pendure a despesa,
pois vim de bolsa vazia!

  



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Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 02/10/2012
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