No prelo há quase 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Pseudologia filosófica

Moinho e vento há muito têm um trato
de solidariedade pela vida.
Do mesmo modo, o prato e a comida,
a câmera, o filme e o retrato.

Também o tem o senso e o sensato,
o colibri, a rosa, a margarida...
o beijo de adeus e a despedida,
a meia, o cadarço e o sapato.

Pergunto: o que será do tal moinho,
se o vento resolver soprar sozinho
por ares nunca dantes ventilados?

Se há resposta, eu deixo aos cuidados
dos falsos que encontrar pelo caminho.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 18/06/2017
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