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O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Extremus

À direita de Cristo, um ladrão
cortejava, na cruz, a morte em vida.
Seus pecados purgavam na ferida
e sangravam em forma de oração.

À esquerda de Cristo, outro ladrão
cortejava a morte em sua cruz.
Seus pecados também vertiam pus
nas batidas finais do coração.

À esquerda um ladrão, outro à direita,
e em volta dos dois, a morte espreita
à espera das ordens do perdão.

O ladrão da esquerda e o da direita,
hoje juntos, se irmanam numa seita,
que despeja seu pus, de mão em mão.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 17/03/2018
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