![]() Aos pés da "redentora"
Lá no planalto central, no coração de Goiás, a mando de satanás e outros entes do mal, deu-se assento a capital deste mulato inzoneiro, que nunca perdeu o cheiro das ceroulas de Cabral: dejetos de bacalhau trazidos do estrangeiro. Niemeyer, o timoneiro, (nosso maior arquiteto) por quem nutre grande afeto todo o povo brasileiro, por ser puro e verdadeiro na defesa da utopia, não previu que algum dia, nalgum primeiro de abril, à baioneta e ao fuzil, o lápis se renderia. E foi-se João sem Maria, Francisco sem Marieta... e o luto da tarja preta, que o verde oliva encobria. E fundou-se a confraria dos vilões da ditadura: qualquer uma criatura que teimasse dizer não às ordens dum capitão ou às vendas da censura. No país, àquela altura, qualquer cabeça de bagre repercutia o milagre dos santos da ditadura, sob o terço da tortura e a bênção da repressão: Humberto, o primeiro São, seguido por São Arthur, Emílio Garrrastazu, São Ernesto e São João. Deu-se a tal revolução dos anos sessenta e quatro, que salpicou no retrato, entre o tanque e o canhão, sob as fraldas da nação e as fardas dos generais, o sangue de muitos pais (resistentes à tortura) duma geração futura tolhida de ideais. E ainda há comensais filhotes da ditadura, capazes, a esta altura, como se vê nos jornais, tentarem, uma vez mais, recolorir o retrato e pendurar no teatro, nas paredes da memória (onde dormita a escória) um novo sessenta e quatro. Não foi trinta e um de março, mas em primeiro de abril, que, com bazuca e fuzil, e outras armas de aço, foi dado o primeiro passo duma longa trajetória, que ecoa na memória como vil caricatura. Que fique a dor da tortura na cicatriz da história. E que a linha sucessória, não renove a ditadura! Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 10/10/2015
Alterado em 29/03/2019 Copyright © 2015. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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