![]() DESENCANTOPadre Antônio Thomaz
Muitas vezes cantei nos tempos idos Acalentando sonhos de ventura: Então da lira a voz suave e pura Era-me um gozo d’alma e dos sentidos.
Hoje vejo esses sonhos convertidos Num acervo de penas e amargura, E percorro da vida a estrada escura Recalcando no peito os meus gemidos.
E se tento cantar como remédio Às minhas mágoas, ao sombrio tédio Que lentamente as forças me quebranta,
Os sons que arranco à pobre lira agora Mais parecem soluços de quem chora Do que a doce toada de quem canta.
***************************** DESENCANTO Herculano Alencar
Belíssima mulher! Olhos castanhos, Sorriso que espanta o mau olhado, Como fosse, por Deus, abençoado, Apesar de pesares tão estranhos.
Mulher de corpo esguio, acinturado, Queixo de Nefertiti, rijos seios, Que grita, ao mundo, todos os anseios, Enquanto o coração sofre calado.
Mulher que desejei no meu passado, E que sonhou comigo, lado a lado, Até alguém dizer que sou poeta.
Mulher do apesar, do entretanto... Que, apesar de todo o desecanto, Sem ela, a minha vida é incompleta. Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 19/11/2021
Copyright © 2021. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|