![]() Em busca de inspiraçãoAndo sem inspiração Para os versos de cordel! Vou atrás do Manuel Du Bocage e, então, Começar a construção Duma redondilha nova, E assim colher a prova De que sou quase poeta, Que minha obra vegeta E vai comigo pra cova.
Ando atrás de rima nova, Tentando fazer bonito, Mas eu mesmo acredito Que o cordel não aprova. Quem sabe faça uma trova, Falando do Assum Preto, Ou quem sabe um soneto Cheio de nós e senões, E assim convide Camões Pra balançar o coreto.
Quem sabe um minueto, Suave e cheio de graça, Que certamente me faça Sacudir o esqueleto. Seja o que for, eu prometo Que a rima derradeira Vai falar de Zé Limeira, Patativa d'Assaré, E também de outro Zé, Que nem fede e nem cheira.
O famoso Zé Pereira Dos saudosos carnavais, Em que deixei os meus ais, Numa triste quarta-feira, Logo após a brincadeira De rasgar a fantasia. Inda hoje lembro o dia, Era mês de fevereiro, Eu passei o ano inteiro Preparando pra folia.
Hoje resta a poesia, Que me visita a lembrança, Que sacode e não se cansa, Como a trança de Maria. Se pudesse eu voltaria Pra buscar inpiração, Mesmo sendo uma fração, Um verbo mal conjugado, Falecido no passado, Mas vivo no coração.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 06/03/2022
Alterado em 06/03/2022 Copyright © 2022. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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