No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Crepúsculo de um onanista 
 


Ele tocava na banda da escola
um instrumento de couro, qual cuíca.
No vai e vem deixava uma rubrica
que tatuava os sonhos feito cola.

 

Era um menino feio, ruim de bola...
Não lhe chegava olhar dalgum desejo!
Inda me lembro...  seu primeiro beijo
Foi capa de revista espanhola.

 

E foi crescendo, enquanto tocava,
e foi tocando, enquanto crescia...
até ejacular em poesia
todas as musas que imaginava.

 

Já não toca o mesmo instrumento.
Hoje toca a saudade (em pensamento)
Num cabo de vassoura piaçava.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 10/02/2006
Alterado em 11/12/2022
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