No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Hiroshima
Um lampejo de luz incandescente
Cegou a luz do sol naquele dia.
E aos pés de Deus, e  à sua revelia,
tingiu o céu de um jeito diferente.

Pedaços destroçados dum vivente
vagaram pela dor não mais sentida.
E confundiu-se a morte com a vida
e fez-se treva às luzes do nascente.

Não houve tempo  nem pra sofrimento,
nem para o suspirar de um intento
ou para o beijo há muito esperado.

A morte foi ao céu, sem dar aviso,
e sussurrou um verso de improviso
com rimas de um soneto mutilado.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 04/07/2011
Alterado em 06/08/2025
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