

Soneto enfisemático
Dá-me um trago só do teu cigarro!
Deixa que teu escarro venha junto! E tragarei com lábios de defunto, e voltarás à terra feito barro. Gasta, com tua tosse de bestunto e tua língua impregnada pelo sarro, a poesia morta no pigarro, já que a morte há de pagar o sunto. Vês!? Nem mesmo a poesia te consola. Hás de engolir esputo como esmola e ruminar rancor no coração. E, no o último trago, -moribundo- convulsionante cuspirás no mundo o teu legado da desilusão.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 25/01/2007
Alterado em 25/01/2007 Copyright © 2007. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
|