No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Soneto enfisemático
Dá-me um trago só do teu cigarro!
Deixa que teu escarro venha junto!
E tragarei com lábios de defunto,
e voltarás à terra feito barro.

Gasta, com tua tosse de bestunto
e tua língua impregnada pelo sarro,
a poesia morta no pigarro,
já que a morte há de pagar o sunto.

Vês!? Nem mesmo a poesia te consola.
Hás de engolir esputo como esmola
e ruminar rancor no coração.

E, no o último trago, -moribundo-
convulsionante cuspirás no mundo
o teu legado da desilusão.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 25/01/2007
Alterado em 25/01/2007
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