No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Viajante

Sigo viagem, levo o meu farnel,

pois que minha viagem será breve

e o farnel parece-me tão leve:

alguns rabiscos, lápis e papel.

 

Vou bem pertinho: logo ali, no céu!

Alguns segundos... a viagem é boa!

Se para o mundo o tempo sempre voa,

para o poeta o tempo é um troféu.

 

Vou reviver os versos de Pessoa,

quando fingiu a dor que não doía.

E vou fingir seu luto, em elegia

à morte que, fingida, não perdoa.

 

Ao regressar farei uma coroa

dos versos que, se vivo, escreveria.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 13/04/2012
Alterado em 25/07/2025
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