

Soneto da lugubridade
Quem beijou-lhe a boca traiçoeira e dividiu com ela algum segredo, sentiu, da poesia, o gosto azedo de quem sorveu a morte a vida inteira. A morte que alugou a cumeeira e o teto que o poeta se servia para cobrir de luto a poesia ao sepultar as dores corriqueiras. A morte, tão amiga e companheira, com quem subiu a última ladeira quando abduziu-se do cortejo. A mesma que na boca do poeta, como uma dama, sempre tão discreta, oferecia a língua para o beijo.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 20/03/2007
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