No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Soneto da lugubridade

Quem beijou-lhe a boca traiçoeira
e dividiu com ela algum segredo,
sentiu, da poesia, o gosto azedo
de quem sorveu a morte a vida inteira.

A morte que alugou a cumeeira
e o teto que o poeta se servia
para cobrir de luto a poesia
ao sepultar as dores corriqueiras.

A morte, tão amiga e companheira,
com quem subiu a última ladeira
quando abduziu-se do cortejo.

A mesma que na boca do poeta,
como uma dama, sempre tão discreta,
oferecia a língua para o beijo.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 20/03/2007
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