![]() Desilusão
Afasta tuas pernas ao meu cortejo; Guarda o pudor atrás do figimento; Goza por nós a farsa do momento nos camarins da arte do desejo. Troca o teu disfarce por um beijo; Ama-me como objeto do cenário; Deixa guardado dentro do armário os vestígios de mim como sobejo. Abre pra mim as páginas do diário, onde escreveste igual dramaturgia. Lê, com a voz de atriz, a poesia, onde o amor é um verso imaginário. Troca o meu beijo, inútil e solitário, pelos rompantes de lábios ufanos, pois desbotei batons por tantos anos, que já não faço mais aniversário. Mas não esqueça de que nos amamos, quando a mentira ainda era verdade, quando a tristeza era a felicidade, vestida na fantasia que sonhamos. Quando a desilusão cumpre os seus planos, o amor reduz-se a menos da metade. Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 11/09/2005
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