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A crucificação
Incontinentes, os esfíncteres vazados
desmancharam, do homem, toda a divindade. Nem mesmo o Criador teve a capacidade de estancar-lhe cada fluido despejado. Chora, a honradez de um crucificado, nos orifícios naturais do corpo humano. Fosse um Galileu ou fosse um Romano e morreria, igualmente, defecado. A morte, organicamente impiedosa, não se dá conta nem da prece, nem da rosa. Segue, inexoravelmente, seu destino. O coração cansado de pedir clemência, finda por entregar-se, em obediência, para a derradeira lei do amor divino.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 13/09/2005
Alterado em 26/12/2016 Copyright © 2005. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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