![]() Profecia
Nasceu como bastardo, uma vez, sob a barba servil dum carpinteiro. E embora fosse um filho verdadeiro o pai foi alijado da prenhez. Seu velho pai amou o que não fez e fez, do que amou, um grã segredo, enquanto a mãe pariu muito mais cedo o filho da mais pura honradez. Cresceu como escravo dos senões dos seus antepassados, entretanto não derramou, que fosse, um só pranto, na espada dos cruéis centuriões. Seguiu, ouvindo salmos e sermões, enquanto florescia a juventude. E a história conta a torto e amiúde, embora esconda parte das paixões. Morreu acreditando na vitória, enquanto estertorava em agonia. E o sangue que verteu naquele dia inda inunda as cavernas da memória. E renasceu a mando de quem fez cumprir a mais antiga profecia. E a jovem mãe e todas as Marias morreram, uma a uma, outra vez. Quem te viu em total embriaguês é capaz de saber o que farias. Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 03/10/2015
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