![]() Sonho de criança
Sem asas, eu voava pelo céu junto aos meus sonhos bons, sem pesadelos. Não sei o que eu fiz pra merecê-los, mas penso que os ganhei como troféu. É que eu sonhava tudo o que podia: o amor, o ódio, a luz, a escuridão... um mundo, que coubesse em minha mão, e outro que coubesse na cotia. Sonhava Deus, um poço de bondade, pronto a ralhar do céu, quando preciso. Sonhava construir o paraíso num terreno baldio da cidade. Sonhava um grande amor: uma menina de saia branca, solta e pregueada, que tão feliz por ser a minha amada, já bolinava a alma feminina. Sonhava um sonho lindo e de verdade, feito de amor e riso, e de brinquedos... capaz de deixar em paz todos os medos e as crendices comuns da minha idade. Um dia eu acordei não mais criança e o sonho deu lugar ao pensamento. Fatídico tal dia, inda lamento não tê-lo excluído da lembrança. Sem asas já não voo desde então. Não há terreno baldio na cidade. Secou-se aquele poço de bondade e o mundo já não cabe em minha mão. Como viver criança? Eis a questão! Voe... apesar da lei da gravidade! Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 11/10/2015
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