![]() Frevo de cordel
O frevo, senhor da rua parido em Pernambuco, que faz o cabra maluco jogar confete pra lua. Que deixa a saudade nua e o coração mal vestido. Que deixa o pé espremido entre a sobrinha e o passo, há de sentir o cansaço do si bemol sustenido. O frevo, anzol do cupido, um pescador de sereia, que, aos castelos de areia, dá, de fato, algum sentido. Abraça o si sustenido, como se fosse um bemol, aos pés da clave de sol, que dá luz à partitura e à beleza mais pura do canto do rouxinol. O frevo, sábio farol, ilumina, noite e dia, os passos da poesia, que dança no arrebol, que faz ciúme pro sol, que faz ciume pra lua, que faz carinho na rua, ao saltitar do passista, enquanto dá toda pista que a poesia foi sua. O frevo, senhor da rua, e também senhor do céu, ora dança no cordel, à luz do sol ou da lua, enquanto o passista sua, por cada poro da arte, e até Deus pede aparte pra recitar um versinho. Pra demonstrar o carinho, se faz de porta-estandarte. E o frevo serve, a la carte, saudade, cachaça e vinho! Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 21/09/2019
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