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O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

A metáfora da uva e o vinho

A uva se desmancha em carinho,

Bem antes, muito antes da colheita,

Fazendo um colibri, de asa estreita,

Levá-la da parreira para o vinho.

 

Pousado, na metade do caminho,

Um outro colibri fica à espreita,

Como quem sabe a hora e a receita

Da uva, finalmente, dar-se ao vinho.

 

E quando a poesia sai do ninho,

A flor pede perdão ao colarinho,

(Por não mais atrair o beija-flor)

 

E o vinho já descansa no carvalho,

A uva, como que num ato falho,

Assume, de repente, outro sabor.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 02/05/2022
Alterado em 28/12/2025
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