![]() Porre HoméricoEu vou tomar um porre de paixão E ansiar a musa em poesia. Carpir a solidão como carpia, Nas cordas do meu velho violão.
Vou rabiscar sonetos no balcão Do botequim, que ora só existe Na sombra da lembrança (alegre ou triste), Que vaga entre o instinto e a razão.
Vou incluir na conta, pro garçom, Um verso escrito, em letra de batom, Com falsa e vulgar caligrafia.
E quando eu der por mim, ao fim porre, E a paixão disser que nunca morre, Eu vou mentir, que há muito já sabia. Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 10/01/2023
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