No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Januária

Januária não sai mais na janela,

Desde que seu cabelo embranqueceu.

E mesmo assim, poetas, como eu,

Inda querem chegar mais perto dela.

 

Quando a canície chega e revela

A beleza invulgar da faixa etária,

Que um dia chegou pra Januária,

O espelho responde que é ela.

 

Então ela desdenha do espelho,

Reaplica o batom, o mais vermelho...

O batom dos seus tempos de atriz.

 

Dá um sorriso um tanto disfarçado,

Abre um pouco a janela, com cuidado...

Pra ouvir a plateia gritar: bis!

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 22/06/2024
Alterado em 24/06/2024
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