No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Me desculpe, Camões!

Um soneto perfeito eu não consigo,

Pois que me foi negado esse talento.

Mas, apesar de tudo, ainda tento

O milagre do pão, forjar no trigo .

 

As vezes ponho um verso de castigo.

As vezes uma sílaba a mais.

As vezes troco as tônicas vogais.

As vezes erro a crase no artigo.

 

As vezes penso cá, com meus botões,

Por que sinto vergonha de Camões,

Quando leio um soneto que eu fiz?

 

Eu penso ter chegado à conclusão,

Que a pena caleja a minha mão,

Só pra fazer de mim um apendriz.

 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 23/06/2024
Copyright © 2024. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras