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O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Ela desatinou

Ela sambou no fim da brincadeira,

Após despedaçar a fantasia.

E o povo, debochando, lhe dizia

Que ainda não chegou a quarta-feira.

 

Alguém jogou um balde de água fria.

Alguém lhe deu um tapa na moleira.

Alguém tocou um “Viva o Zé-Pereira”.

Ninguém desconfiou que ela sofria.

 

Então desatinou na avenida,

Com sua derradeira falsa vida,

A debochar da dor e do pecado.

 

E quando deu por si, estava nua.

Alguém na fantasia que foi sua,

A desfilar com ela, lado a lado.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 27/06/2024
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