No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Tiro as mãos de ti?

Tu és um laço frouxo, um falso nó.

Uma vela apagada e sem pavio.

Um Sofreu que sofreu sem dar um pio

Uma pedra sem par no dominó.

 

Tu és um marinheiro sem navio.

Um poeta sem lira e poesia.

Uma palavra chula e sem valia.

Uma meada velha e sem fio.

 

E ainda assim, se pões as mãos em mim,

Meu coração parece um tamborim

A dar ao samba o tom e a cadência.

 

E quando eu tiro as mãos, sei lá de onde,

E tu ficas calada e não responde,

Aí, eu ponho as mãos na consciência!

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 28/06/2024
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