No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Sabiá

Não sei se vou depois ou se vou já,

Colher a flor-de-lis, que não colhi,

Do bico do arisco bem-te-vi,

Que a roubou do manso sabiá.

 

Talvez eu vá chamar o colibri,

Que se enfiou na flor do manacá,

E teima que só vai sair de lá,

Se eu também quiser ficar aqui.

 

Então eu resolvi dizer que sim.

Que vou ficar aqui até o fim,

Ainda que a flor não mais exista.

 

O colibri então veio até mim,

E disse ao meu ouvido: sendo assim,

Me traga uma rosa da florista!

 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 02/07/2024
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