No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Revelação

Eu vou falar baixinho, em seu ouvido,

As mentiras que guardo só pra mim.

Ouça, uma por uma, até o fim,

Pra duvidar de mim, como duvido.

 

A mentira só faz algum sentido

Num ouvido capaz de escutá-la,

Como fosse um escravo na senzala,

Que escuta e entende algum gemido.

 

Ouça minhas mentiras, pois são suas!

As mentiras que andam pelas ruas,

Vestidas de verdade. Todavia,

 

São essas vãs mentiras, meu amor,

Que, de tantas, não sei bem onde pôr,

Mas sei que são de sua autoria.

 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 31/07/2024
Alterado em 31/07/2024
Copyright © 2024. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras