No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Fora do Tom

Eu sei que desafino, meu amor,

Porque meu violão se embriaga,

Toda vez que você me joga praga,

Quando saio depois do sol se pôr.

 

Então sigo cumprindo a minha saga:

Meu triste coração, desafinado,

Anda, de bar em bar, de lado a lado...

Na busca insistente duma vaga

 

Entre o atabaque e o pandeiro.

E assim eu vou vivendo o ano inteiro,

Com o meu violão fora do tom,

 

E com meu coração, de bar em bar,

Que bate a procura dum lugar,

Inda que seja o peito dum garçom.

 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 29/01/2025
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