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O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Cinderela em carne e osso

 


Bateu na minha porta, um certo dia,
Uma mulher, magrela e desdentada,
Que dormia descalça na calçada ,
Como pingos de chuva em noite fria.
 
E me pediu abrigo, e se dizia
Uma pobre coitada Cinderela,
Que perdeu um sapato na favela,
Em que tinha uma nobre freguesia.
 
Abri-lhe a porta e disse: pode entrar!
Procurei um sapato, achei um par,
Que lhe coube nos pés, perfeitamente.
 
Era um par de sapatos muito antigo,
Que há muito guardava aqui comigo,
Pra calçar um amor de antigamente.
 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 28/03/2025
Alterado em 25/07/2026
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