No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Meu tempo de seresteiro

Meu violão, calado pelos anos,

Dorme junto as lembranças do passado,

Quando eu era um poeta apaixonado

Pela vida dos sóbrios mundanos.

 

Meu violão, que jaz desafinado,

Boceja, enferrujado de saudade,

Acordes reduzidos à metade,

De quando meu Bolero era seu Fado.

 

Acorda violão! Vem pro meu colo!

Me deixa ensaiar, que seja um solo,

Um solfejo qualquer, em qualquer tom.

 

E este seresteiro, sem seresta,

Vai dedilhar, na corda que lhe resta,

O acorde final de Odeon.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 09/08/2025
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