No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Morte metafórica

Quando a última flor vir a murchar,

E o colibri beijar-lhe o espinho,

Eu vou viver só mais um bocadinho,

Até que o sol se renda pro luar.

 

Então eu vou ficar ali, sozinho,

Até o colibri não mais beijá-la,

E delicadamente vou pegá-la

E deixá-la em paz no colarinho.

 

Então vou ajeitá-la com carinho,

Pra que a poesia faça um ninho

E possa dar à luz um colibri.

 

Um belo colibri azul-brilhante,

Que se põe a beijar no mesmo instante

Em que eu me dei conta que morri.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 04/09/2025
Alterado em 04/09/2025
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