No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Reencarnação

Morreu e foi pro céu a virgem bela,

E lá foi recebida com festejo.

Em vida, nunca deu sequer um beijo.

Viveu como pudica Cinderela!

 

Os anjos se postaram perto dela,

Por recomendação do Pai eterno,

Mantendo, à distância do inferno,

Os desejos frustados da donzela.

 

Reencarnou, niguém sabe a razão,

E fez do novo corpo um ganha-pão.

E assim viveu até o fim da vida...

 

Morreu e desta vez foi pro inferno.

E lá do céu, de longe, o Pai eterno

Sopra mais uma brasa-escondida.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 29/11/2025
Alterado em 29/11/2025
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