No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Uma viagem no trem da vida

E lá se ia eu de pés no chão,

A pança abaulada de menino,

A passear nas veias do destino,

Sem pressa de chegar, sem direção…

 

Era um final de tarde de verão.

O sol, que parecia estar cansado,

Ardia levemente ao meu lado,

Como se despedisse da visão.

 

O céu pariu a lua em minha frente

E engoliu de vez o sol poente,

Com a boca da noite escancarada.

 

Então eu acordei, já homem feito,

Me levantei, assim, meio sem jeito,

Olhei pela janela e não vi nada.

 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 12/12/2025
Alterado em 03/03/2026
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