No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Meu Frevo fantasia da saudade

Saí do Piauí pra Pernambuco,

Nas asas virtuais da poesia.

Eu era inda mocinho e não sabia

Manejar, com destreza, o meu trabuco.

 

Ao pousar em Recife, ao meio dia,

Vi sombrinhas rodando sem parar.

Apontei meu trabuco para mar,

E rezei Padre Nosso, Avé Maria...

 

De repente, chegou o carnaval,

Me pegou, com carinho, pelo braço

E assinou o meu primeiro passo

De Frevo, sem direito autoral.

 

Voltei, anos depois, pro Piauí,

Sem trabuco, nas asas da saudade.

Dancei Frevo em Recife à vontade,

E hoje ensaio passos por aqui.

 

Até meu coração ainda dança,

Pelos becos e curvas da lembrança,

E teima em perguntar porque parti.

 

Hoje, que a poesia está sem asa,

Eu voo, no jardim da minha casa,

Nas asas duma triste Juriti.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 13/02/2026
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