

O Zé Limeira modernoO Zé Limeira moderno Faz repentes em soneto, Retrato em branco e preto, Usa gravata, usa terno... Poetiza o Pai Eterno, Com versos de rima rica, E deixa em baixo a rubrica, Assinado: Zé Limeira, Poeta, à brasileira, Que diz que vai, quando fica.
Quando espirra, ele salpica Num lencinho de papel. E quando escreve Cordel, Usa luva de pelica. De férias na Martinica, Sobe cachoeira arriba. Dança um Frevo de Capiba, Muito melhor que passista, E nunca perde de vista As águas da Paraíba.
Hoje diz que é escriba, Interpreta as escrituras Esboça caricaturas, Quando tá na pindaíba. Roga a Deus que não proíba Exercer o seu talento, Pois já vai tomar assento Na mais nova academia, Em que Mia Couto mia E Drummond dorme ao relento.
Peço ao leitor um momento Pra um dedinho de prosa, Com João Guimarães Rosa, Que me trouxe este bom vento: Mais de noventa por cento Deste Cordel, eu lhe digo, Veio do pé do umbigo Deste grande escritor, Que também era doutor À moda do tempo antigo.
Voltando à Limeira, sigo Na sua biografia, Pois seu estro propicia Pôr a rima de castigo, E eu tenho cá, comigo, Que o bardo, Zé Limeira, Já pintou a cabeileira, Com o alvor da idade, Portanto me deu vontade De pôr, à minha maneira,
Um fim nessa brincadeira, E encerrar o Cordel. Que Bocage, o Manuel, E Padre Antônio Vieira, Se esbaldem na bebedeira, Nesse fim de Carnaval, Pois Zé Limeira, afinal, Um cordelista moderno, Só usa gravata e terno... Do Reveillon ao Natal.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 21/02/2026
Alterado em 21/02/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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