

Soneto dispéptico
Conheço um poeta maniqueu, que come verso e arrota poesia. Um tipo raro de dispepsia, que, embora rime, nunca convenceu. Esse poeta um dia descreveu seu mal-estar do jeito que sentia: —Sinto uma dor, um tipo de azia, como se a própria azia fosse eu. Anos depois, quase na meia idade, dormiu mais cedo, acordou mais tarde, comeu um verso acre, requentado... E arrotou, em forma de terceto, do fel regurgitado no soneto, o resto de um poema inacabado. Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 16/02/2008
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