No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Embolando a embolada

Vi cobra engolindo sapo

Num buraco de tatu.

No agouro dum anu,

Galo cego enchendo o papo,

Canguru dando sopapo,

Hiena dando risada,

Duende beijando fada,

Anão beijando gigante

Lá no inferno de Dante,

Onde o Saci fez morada.

 

Também vi Alma penada

Rezando pro Satanás.

Vi vaca correndo atrás

De bezerro na manada,

Pavão de cauda baixada,

Saruê de rabo erguido,

Cochicho de pé d’ouvido

Falando mal de vizinho,

Vi padre bebendo vinho,

Com pó de leite mugido.

 

Viuva sem falecido

Carpindo a dor da vizinha,

Muda cantando sozinha

Em Si Maior sustenido.

Vi um Coelho escondido

Num no buraco da cartola,

Sapato com meia-sola

Humilhar Cromo Alemão,

Só nunca, vi meu irmão,

Minhoca jogando bola,

 

Gente rica dando esmola,

Preguiçoso dando duro,

Sombra preta no escuro,

Trilhos de trem sem bitola,

Poeta bom da cachola,

Jegue calçando chinelo,

Conto de rei sem castelo,

Não ter rima pra Raimundo…

E ter a Copa do Mundo

Sem nosso Verde-Amarelo.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 28/05/2026
Alterado em 28/05/2026
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