No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

A gente pensa uma coisa, acaba escrevendo outra e o leitor entende uma terceira coisa.

Mario Quintana

A coisa da coisa

Eu estava aqui pensando

Em escrever um soneto!

Pensei branco e disse preto,

Pra sempre de quando em quando...

Obedeci porque mando,

Mandei porque obedeço

Botei o fim no começo,

E o começo no fim,

E fiz um verso pra mim,

Sabendo que não mereço.

Virei o mundo ao avesso,

Pra encotrar uma rima,

Caí de baixo pra cima,

Sem tropeçar no tropeço,

Botei o meu endereço

Onde jamais moraria,

Troquei João por Maria

E Florbela por Quintana,

E um final de semana,

Por segunda, quem diria!

É que fui à pescaria

Lenvando anzol sem linha,

Dua latas de sardinha,

Uma cheia outra vazia,

Botei a lua de dia

E o sol na noite escura,

E criei a criatura

Mais bonita do planeta:

Uma versão do capeta,

De cem metros de altura.

Eu ecrevi: pomba-preta,

E alguém leu: pomba-dura.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 23/10/2026
Alterado em 23/10/2026
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