No prelo há quase 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Amor e dor

Ébrio, perdidamente apaixonado,
o homem vomitava na saudade,
o porre de um amor da mocidade,
bebido sob as luas do passado.

Bem junto ao copo, o pranto derramado
por sobre uma foto em branco e preto.
Num guardanapo, a rima dum soneto,
que põe amor e dor do mesmo lado.

A dor, fiel parceira do coitado,
atravessou seu pranto, em um só nado,
até chegar indene ao coração.

O amor, por sua vez, não disse nada.
Dormiu, de braços dados, na calçada,
posto a guardar-lhe o sono, como um cão.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 15/04/2017
Alterado em 15/04/2017
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