![]() “Os cavaleiros do Apocalipse, apenas quatro, não dão conta do serviço.”
Carlos Drummond de Andrade A Peste, a Guerra, a Fome, a Morte e o Quinto Cavaleiro do Parnaso. Em seu cavalo branco, o anticristo se foi pelas veredas do Parnaso. Na linha entre a aurora e o ocaso, dizem que por ali ele foi visto. Em seu cavalo rubro, escudo raso, um outro cavaleiro ali foi visto, com sua espada fina qual o xisto que derrama betume no Parnaso. Em seu cavalo preto como o breu que cai por sob as noites do Parnaso, com sua jarra funda e prato raso mais um grã cavaleiro se perdeu. Num cavalo amarelo, apareceu o quarto cavaleiro no Parnaso, que fez dos outros três soldados rasos e disse que o Parnaso era seu. O quinto cavaleiro veio à pé: uma pena na mão, um pergaminho... e se agachou no meio do caminho, e defecou no chão a sua fé. E escreveu, com mijo, sobre o chão: a peste, a guerra, a fome, a morte são os quatro cavaleiros da ralé. Eu sou a indiferença, a omissão... o quinto cavaleiro, o vilão que vai botar o mundo em marcha à ré. Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 26/03/2021
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