![]() Soneto surreal IXMinhas narinas, hoje um chafariz, Não param de jorrar teimoso muco, Que me faz enxugar, feito maluco, A salmoura que desce do nariz.
Meu estro de poeta aprendiz Escorre, com o muco das narinas, Como fossem discretas bailarinas Que, a cada novo espirro, pedem bis.
Assim segue a COVID-dezenove, À procura dum verso que comprove Que a poesia ativa a imunidade.
E por acreditar nesta premissa, Sigo mantendo a pena submissa Aos meus sessenta e nove de idade.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 21/03/2023
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