No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Realidade Paralela

Debaixo do meu Ego mora um cego,

Que anda, no espaço sideral,

De óculos escuro e coisa e tal...

E representa tudo o que renego.

 

Um cego com visão espectral,

De ouvido aguçado como um cão,

Capaz de enxergar na escuridão,

O bem a cavalgar por sobre o mal.

 

Debaixo do meu Ego mora um mudo,

Que fala sobre nada e sobre tudo,

Qualquer que seja o tema ou o assunto.

 

Um mudo que arremeda a voz do cego,

Que fala, e vê, e ouve o que renego,

E que há de dublar o meu defunto.

 

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 26/02/2025
Alterado em 27/02/2025
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