![]() A boca da noiteA noite abriu a boca e engoliu O sol que preguiçava no poente, Uma banda da lua já crescente, No silêncio que teima em dar psiu.
É que a boca da noite não tem dente, E engole, de vez, sem mastigar, Como faz a baleia à luz do mar, E a dor do amor dentro da gente.
A noite a briu a boca e cuspiu O sol, que não ouviu um só psiu, No silêncio da lua, ora minguante.
É que boca da noite não tem língua. E, portanto, enquanto a lua míngua, Cala o brilho do sol em um instante. Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 26/02/2025
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