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O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

A boca da noite

A noite abriu a boca e engoliu

O sol que preguiçava no poente,

Uma banda da lua já crescente,

No silêncio que teima em dar psiu.

 

É que a boca da noite não tem dente,

E engole, de vez, sem mastigar,

Como faz a baleia à luz do mar,

E a dor do amor dentro da gente.

 

A noite a briu a boca e cuspiu

O sol, que não ouviu um só psiu,

No silêncio da lua, ora minguante.

 

É que boca da noite não tem língua.

E, portanto, enquanto a lua míngua,

Cala o brilho do sol em um instante.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 26/02/2025
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