No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

Carnaval Surreal

Um peito da passista é de madeira,

O outro, um mamão amarelado.

A bunda tem um jeito em cada lado,

Como se tudo fosse brincadeira.

 

A boca, com formato de pecado,

Parece engolir o mundo inteiro.

Somente o nariz é verdadeiro,

Mesmo que não pareça ter cheirado.

 

O samba atravessou na avenida,

Pois o surdo não deu sinal de vida,

E a cuíca engasgou o tamborim.

 

Dalí, o Salvador, entrou em cena:

Pintou uma florzinha, bem pequena,

Nas partes genitais do Arlequim.

Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 02/03/2025
Alterado em 06/03/2025
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