No prelo há mais de 50 anos...

O amor, poeta, é como cana azeda, A toda boca que não prova engana. (Augusto dos Anjos)

Textos

"O capitalismo é a crença surpreendente que o mais perverso dos homens vai fazer a mais perversa das coisas para o bem maior de todos." John Keynes

Teoria poética do capitalismo

Um banqueiro ceifou a flor nativa
e plantou um quiosque em seu lugar.
Disse ele que é hora de plantar
uma flor mais rentável e atrativa.

O banqueiro reluta manter viva
a flor, que dá trabalho pra regar,
qualquer que seja a hora ou o lugar,
pois sempre há uma flor alternativa:

uma flor de papel, cor verde oliva,
que pode ser plantada onde se queira.
A flor que enche espaços na carteira
e que substitui a flor nativa.

A flor que tem o cheiro da saliva
de quem conta cifrões a vida inteira.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 02/12/2017
Alterado em 02/12/2017
Copyright © 2017. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras